Hoje quando eu cheguei no Tha Kerida o Bolinha me disse: “Nossa, parece que ta faltando alguém do seu lado…”. Pois eu não achei, minha companhia tava mais completa do que nunca, e eu não sou a favor do “antes só do que mal acompanhdo”. Sozinho ninguém vive, e sim vegeta. E dependendo das companhias, vegeta mais do que se estivesse sozinho. ((Indireta não, diretissíma)). Após o momento “Ai, meu Deus, e vou morrer!!”, Estou muito bem, obrigada.
O meu problema da garganta sempre foi emocional… Talvez essa foi mais forte, porque não podia ser diferente… Cada partícula de tristeza queria sair pelos meus poros. E foi então que a dor de garganta teve suas complicações. E agora eu estou triste sim, mas estou tranquila e conformada. Ele sempre me avisou que um dia ia embora, só não me falou que seria assim. E eu o culpo por isso. Eu imaginava que um dia ele iria por consequências da vida, por crescimento, mas nunca por regressão. Nem pelo prazer de me abandonar e me deixar aqui sofrendo.
Ontem eu estava andando na rua e no lugar da tristeza habitual eu ameaçava vários sorrisos, pois eu estava me lembrando de coisas boas. Me lembrei do dia que a gente teve que trabalhar um do lado do outro e ficamos proibidos de dizer uma só palavra, e então abrimos o bloco de notas pra brincar de MSN. Lembrei que não importava onde fossemos: íamos de mãos dadas. Lembrei das vezes que por “acidente” ele teve que dormir aqui em casa, e a gente simplesmente não dormia, porque não conseguia parar de falar. Lembrei do dia que achei que tinha parido ele no meio das minhas pernas e do sorriso lindo que ele tinha naquela noite. De como a noite estava estrelada ((E de que era só mais uma das inúmeras mentiras que eu ando descobrindo…)). Lembrei do primeiro porre, e de tantos momentos de euforia daquela noite. Lembrei dos dias que eu trabalhei morrendo de sono em plena terça-feira, só pra deixar ele feliz. Das coxinhas sem recheio, do Burger King e toda porcariada que a gente comia. Desde os almoços naturais no trampo às tortinhas de palmito na saída da balada. Eu prefiro lembrar dessas coisas. Mas também me faz lembrar das vezes que eu quis um abraço pra chorar e eu só ouvia um “Para com isso Regi…”. O abraço nunca vinha por razões que só eu sei. E agora no final, descobri que não era a frequência no lugar de sempre. Era a companhia e o fato da noite não valer a pena se não pegasse ninguém.
Não to fazendo a orgulhosa, minha crista ta bem baixa dessa vez. Mas melhor aceitar os fatos com calma e paciência. Sem esperanças. Eu acho que tudo que eu tive na minha vida foi esperança e nunca fui lá muito feliz, né? Eu disse no post do Réveillon que mesmo tomando na cabeça não achava certo mudar. Dilema do caralho, mas acho que agora sim é hora. A única coisa que sempre ganhei sendo assim foi tristeza, foi doença, foi rancor. Cabeça baixa, conformada, e fria. Bem fria. Afinal, quem não fica frio, fica fraco. Por mais que eu jamais imaginasse que ele fosse fazer isso comigo, eu não quero mais ser presa fácil pra ninguém me machucar. Quero conservar os que eu tenho, aliás, me são mais do que suficientes. São poucos, mas são os meus.
Acho que hoje eu consigo realmente entender o significado do dito “A vida é feita de escolhas”. Eu demorei, muito até, mas fiz a minha. Eu não quero mais ser a menina que quando menos se espera é jogada para escanteio. Acho que a parte boa de tudo isso é o esquecimento. As pessoas conseguem esquecer, mas eu não. Eu vou aprender a esquecer, ou pelo menos aprender a lembrar menos. O pior não está em se sentir um lixo, e sim em se sentir um nada, se sentir sem significância nenhuma. Agora mais do que nunca eu tomo cuidado com sustos e traumas.
Ouve: Quando o Carnaval Chegar ((Engenheiros do Hawaii))
“E quem me ofende
Humilhando
Pisando
Pensando que eu vou aturar
E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar!
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar…”


