“Não sou qualquer amigo de todos, não concorro a Senhor simpatia nem sou adorado por unanimidade. As pessoas têm o direito de não gostar do meu jeito, mas às vezes gostam tanto que sentem inveja. O meu amor eu guardo para os mais especiais. Não sou qualquer politicamente correto. Não sigo todas as regras da sociedade e às vezes ajo por impulso… Erro, admito, aprendo, ensino… Todos erram um dia: por descuido, inocência ou maldade.”
Depois de um enorme bloqueio pra escrever, começo essas linhas já tendo a certeza de que será o meu maior texto. Nesse ultimo mês, ensaiei muitos rabiscos aqui em casa, no trabalho e no celular. Eu me lembro que uma vez eu disse aqui que falar alivia as dores na alma. Mas o silêncio teria me caído como uma luva. Aliás, eu deveria aprender que o meu silêncio vale mais do que 1437 palavras. Mas eu tenho tanto pra falar, que talvez seja o último post. O último e o mais longo. E tudo que eu queria era escrever que estava tudo bem. Poutz, me toquei agora que eu não estava conseguindo escrever porque estava tudo bem. E já não está mais…
Câncer é uma morte horrível. Enforcamento é pior ainda. Acho que não quero falar nisso… É como um viciado trava sua luta diária: Não alimente seus próprios demônios. Mas da janela do 9º andar eu via um dia tão amarelo, tanto sol, tanto calor… Acho que quero falar apenas que a palavra “Câncer” me causa arrepios. Mas falar do enforcamento faz com que eu veja as belezas, então parece que estou apoiando o que ele fez. A minha falta de vontade de viver e a preguiça que eu tenho de lutar me faz admirar a coragem que o Daniel teve de por um “fim” no próprio sofrimento. As minhas tentativas frustradas me deprimem. Lembrar das dores de estomago e olhar pras marcas nos pulsos me deprime. Não pelo que tenha acontecido, talvez eu nem lembre mais o motivo de cada tentativa ((e parei 5 minutos pra pensar e só me lembrei do último, é obvio)). Mas me deprimem ora por não ter conseguido, ora por ter tentado. E me faz lembrar o quão convidativo o mar estava naquela tarde em Peruíbe há quase dois anos atrás. Eu já teria evitado tanta coisa de lá pra cá. ((E do nada e totalmente sem querer dei um sorriso de lado enquanto escrevia a última frase. Pois é, demônios mais do que alimentados e ainda sussurrando famintos…)).
Os meus demônios são extremamente fortes. Um deles me derruba no chão com um dedo. Outro me seduz pra eu atender suas vontades… Tipo uma puta mesmo. E se for ver o lado bom, eu tenho um demônio que me causa euforia. Talvez seja ele que não me deixou morrer antes da hora. E pra ele não importa o quanto meu coração está partido: vai sempre me dar um bom motivo pra alimentar o que é azul. E eu que não tenho mais nenhuma paciência para o que é azul, acendo um cigarro e espero o câncer. O enforcamento não vem, tenho certeza disso. Talvez porque eu vejo a morte como um castigo. E eu, mereço ser castigada pelo que? Se tudo que eu falo e faço é pensando no melhor? E agora é tão ruim essa sensação de impotência…
E foi horrível mais uma vez me ver caída no chão. E dessa vez foi tão pior porque parecia que eu estava fora de mim e enquanto isso assistia minha matéria sofrer. Falar alivia as dores na alma, mas não aliviam em nada quando a dor já se torna física. É a sensação de guardar tudo e querer explodir, e explodir na hora errada. É dar um grito de socorro pra uma pessoa que você tem certeza que vai te ajudar, e ver aqueles cabelos longos e pretos de costas pra você, alegando que não podia fazer nada. É a sensação de que em minutos você assiste sua matéria sangrar e olhos famintos bebem ainda quente. É a sensação de quem luta por justiça, e só encontra egoísmo. E mesmo não sendo a primeira vez que ninguém ouve/acredita, é a sensação de que espadas atravessavam meu peito e perfume era jogado por cima.
É a sensação de perda, em todos os sentidos. Sensação de impotência, de que eu estava encurralada. Destino traçado? Maybe… Mas eu nunca precisei ser um personagem. Tudo que eu fui dentro daquela empresa foi muito sincero. Eu fiquei do lado dela o tempo todo, até no hospital quando todo mundo torcia pra ela não voltar e fazia piadinhas, eu fui vê-la. Esperava retorno? Não. Só não esperava abandono quando eu mais precisasse. Agora olha pra mim? Chorando e comendo há 5 dias. Tudo por culpa de uma cabeça chata, pau-de-arara do caralho, baianinha dos infernos. NÃO! Eu não mudo a minha opinião que essas pragas malditas que se instalam no meu Estado só vem estragar. Se ela foi demitida também? Claro que não. Ela tem a proteção de muitos. E agora eu vejo e sei o que é nadar e morrer na praia: é ver um olho fingindo que chora, é alguém que fingiu o tempo todo que amou você. E em tempos como esses vemos como o amor é banal. Quer mais um exemplo? Agora pouco eu tava procurando a senha do meu MSN numa agenda antiga e achei um bilhetinho dele assim: “Eu te amo muito!”… É melhor nem comentar a forma como as pessoas amam. Como eu sempre disse e afirmo: sou cafona mesmo. Amo muito mesmo antes de conhecer, amo o dobro quando conheço e amo ao cubo quando me apego. A forma que eu amo quando perco? Pergunta pro Hugo, pro Thiago, pra Karen Bertelli, pro Kaique… “Como fere e faz barulho o bicho que se machucou, viu?“…
Em dias como esse em que o seu cinzeiro está cheio, ((Parênteses: Sábio Humberto Gessinger que disse que um telefonema bastaria… Te amo Thaynan…)) que tem comida e chocolate até o topo da sua garganta e a sensação de ainda cabe um copo de Coca antes de vomitar tudo, que o seu cabelo é um lixo, que você só é bonita de maquiagem, e que você não tem nada e nem ninguém, é difícil pensar de como se reerguer do chão. Agora eu não quero. Pelo menos não agora. Eu quero chorar e descarregar a minha raiva antes que eu faça merda, porque sei que é isso que os meus demônios querem… E já que pensei no Humberto… Onde esta você meu amor? Eu não consigo entrar em site nenhum pra saber a quantas anda… Viu? É uma luta diária com os meus traumas e agora eu tenho mais um. O trauma de ser descartada por pedir ajuda.
Menina tão simples que eu era… Aquela que tinha o sonho de casar no aniversário de 18 anos, que queria ter uma foto e um autografo do Humberto ((Acho que foi a única coisa que de fato deu certo na minha vida, não amei em vão, mas fui abandonada, por uma razão que só eu sei entender.)), que desde pequena queria ser loira e ter uma casa com piscina. E dentre tantos sonhos tão pequenos que eu tive, que foram realizados ou não… Será que eu volto a ser quem eu era antes? Dormir em porta de show, andar numa estrada qualquer procurando o caminho das pedras? O que é azul já não me importa mais, e acho que agora é de verdade: tenho vontade de rir da vida que ele leva hoje em dia ((E se EU, tendo a vida que tenho de 5 dias pra cá tenho vontade de rir, imagina como que está a dele…)). Eu tenho um amor que é só meu e de mais ninguém. Saudades que são só minhas e de mais ninguém.
Ódio que é só meu. E de mais ninguém.
E tudo que eu queria escrever era que estava tudo bem. Com a Val e o Nan. E com os derivados do Nan… Mas agora já não está.
E talvez nem vai ficar…
Ouve: Vida Real ((Engenheiros do Hawaii))
“Esperei chegar a hora certa
Por acreditar que ela viria
Deixei no ar a porta aberta
No final de cada dia
Cai a noite doce escuridão
De madura vai ao chão
Na hora da canção em que eles dizem ‘baby’
Eu não soube o que dizer
Ah…vida real!
Como é que eu troco de canal?”