Arquivos Mensais: Julho 2008

No mês de maio aconteceu um fato que me chocou muito. O pai de uma amiga, a Tainan, foi assassinado com um tiro no peito, numa emboscada. Sapé, como era conhecido, era ex-secretário de esportes, na cidade de Bauru em São Paulo e atualmente, criava gado leiteiro. Só que ele notou que algumas vacas vinham sumindo, e começou a investigar por conta própria.

 

Mudando de assunto um pouquinho: quem a gente menos espera nos apunhala pelas costas né? Seja com atitudes, seja com mentiras e até mesmo com segredos guardados a sete chaves. Impressionante! Quanto mais você ajuda alguém, quanto mais confia, maior é a sacanagem que vão te fazer, afinal, tudo nessa vida é proporcional, amor e dor, alegria e tristeza, vendaval e calmaria. E é por isso que de um tempo pra cá eu aprendi a falar “Não”, pois antes eu não sabia. Tem funcionado, tem doído menos. E também vem o fato de esperar tudo e qualquer coisa de qualquer pessoa, pra quando as verdades virem à tona, meu queixo não cair, e então poder responder um sonoro “Eu já esperava…”.

 

Pois bem, voltando a falar do Sapé… Havia um caseiro na fazenda, caseiro que por sua vez era muito pobrezinho e o Sapé, boa pessoa que era, morria de dó dele e praticamente sustentava a família toda dele. A Tainan me disse que ele não era assim apenas com o caseiro, que muitas vezes viu seu pai ser solidário com assentados em acampamentos dos Sem-Terra. Que doava vacas inteiras para essas pessoas se alimentarem.

 

O caseiro roubava as vacas, matava e vendia a carne.

O caseiro matou o Sapé.

 

Legal, né?

 

Na verdade eu queria falar de outra pessoa que um dia eu pensei que foi muito minha amiga, daquelas que fazem todos confiar nela. Mas foi melhor exemplificar com a história da Tainan. Assim, evitamos ibope pra quem não merece, e mandamos boas vibrações a quem precisa… Força Tata! E que a justiça seja feita!

 

 

Ouve: O Vencedor (Los Hermanos)

                             

“Olha lá, quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar…”

Todo dia quando eu voltava do trabalho, era obrigada a passar na Marechal Deodoro, uma rua comercial daqui. E odiava. Pelo fato das pessoas simplesmente não andarem, por ficarem deslumbradas com vitrines e atravancando toda a calçada. ((Acho q desde que era criança tenho tanto pavor da Marechal que nem em shopping eu paro em frente de vitrines.))

 

Eu sei, eu sei que eu sou um ser mal-humorado, eu sei que eu odeio mais da metade das pessoas do mundo, eu sei que quando vejo multidão tenho vontade de sair metendo o pé… Mas isso tinha mudado, pelo menos um pouco. Na segunda semana, todo santo dia que eu voltava pra casa, na loja do Baú da Felicidade do Seu Sílvio estava passando o DVD “Novos Horizontes” dos Engenheiros do Hawaii. Vinha realmente como um Baú da Felicidade depois das 9 horas duras e intermináveis de trabalho. Uma bobagem qualquer para as pessoas que passavam na rua, afinal, quem tem dinheiro pra comprar aquelas mega-televisões não anda na Marechal. Eram só pobres, que não olhavam os meninos que eu tanto amo, e sim, olhavam e sonhavam com o dia em que teriam uma TV daquela pra ver o Datena, Gugu e afins…

 

 

Sim, eu parava na frente da loja. Não por muito tempo, uns 20 segundos no máximo. O suficiente pros seguranças da loja me notarem e se entreolharem. O suficiente para que eu notasse o locutor da loja, que ficava na porta com um microfone imitando o Silvio Santos e o Lombardi fazendo propaganda dos produtos. E assim, quando eu virava as costas pra seguir o meu caminho, já não estava mais com a cabeça nos Engenheiros… Eu pensava no locutor e em mim.

 

Pensava se ele gostava daquilo que estava fazendo, ou se como eu, usava um pouco do seu dom pra ganhar dinheiro. Pensava que às vezes, tanto talento é desperdiçado, e o que acaba fazendo sucesso são as coisas mais banais. Pensava que ele ou eu, por mais que nos esforcemos, sempre teria alguém que acharia nosso trabalho idiota ((foi o que eu pensei sobre ele)) ou mal feito ((era o que pensavam sobre mim)).  

 

Pra quem passa na rua, desde que seja alguém comum, pode até achar engraçado alguém imitando o Silvio Santos e o Lombardi. Pro pobre coitado que está fazendo isso, se ele não achar divertido, pelo menos está ganhando. Mas pra mim, isso é uma grande piada, e um tanto quanto perigosa…

 

Ouve: Ouro de Tolo (Raul Seixas)

 

“Ah! Mas que sujeito chato sou eu?
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro, jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco…”