Arquivos Mensais: Setembro 2008

Duas coisas pra falar:

A primeira é que na semana passada, mais precisamente na segunda-feira, eu fui no quintal fumar um cigarro. A noite estava até bonita: o céu meio roxo que arriscava meia dúzia de estrelas. Bem frio.

Acontece que no céu tinha apenas uma nuvem. Eu não sei bem se era uma nuvem, pois se dispersou muito rapidamente. Talvez era fumaça. Mas quando bati os olhos nela, vi nitidamente a palavra “TRY”. Isso mesmo, a nuvem formou a palavra “TRY”.

Tentar.

OK, estou tentando. Tentando ser mais paciente, mais calma e mais digna. Tentando recuperar a alegria que me tomaram. Tentando recuperar de todos os baques infindáveis que o ano de 2008 tem trazido pra mim desde o primeiro dia dele ((E eu que reclamei tanto de 2007 ¬¬)). Tentando me recuperar de mentiras, gestos e palavras. Tentando muito me afastar de tudo o que me faz mal; aliás já que falei nisso, não consegui parar de fumar. Foda-se. Um dia todo mundo morre, e se eu morrer pelo cigarro, morro feliz. Sinal que não foi coisa pior, como AIDS, drogas ilegais ou acidentes. ((Tenho pavor dessas 3 coisas. Deveria ter da palavra Câncer, né? Mas já me conformei. Tanto pelo cigarro e tanto pelas mágoas. Já me disseram tantas vezes que mágoas, coisas mal resolvidas, palavras não ditas e etc. viram câncer. Cacete, eu vou morrer mesmo de Câncer…))

Afff, fugi totalmente do que eu tava falando. Numa euforia de se estranhar…

A segunda coisa que eu tinha pra falar era sobre duas coisas sobre o post anterior. Sonhos são presságios. Hoje, mais do que nunca eu sei disso. Try, try, try.

E o papo de TENTAR não fechar os braços? ha ha ha. O negócio agora é tentar não abri-los nunca mais. Ao menos que seja pra sonhar.

E os sonhos, continuam sendo azuis. O amor é e pra sempre será azul.

Ouve: No Recreio (Cássia Eller)
“Eu só queria me casar
Com alguém igual a você
E alguém igual não há de ter…”
 

 

 

Esse final de semana tive que dormir no chão. Parentaiada em casa é foda…

 

Eu dormi mal… Acordando toda hora. A última vez que eu havia dormido no chão foi quando a Danny veio pra cá e se não fosse o fato de eu nunca dormir em véspera de show, eu teria dormido bem. Dormi tantas noites no chão, e gostava tanto…

 

E esse fim de semana eu sonhei.

 

Sonhei que a pessoa que dormia na minha cama enquanto eu dormia no chão me dizia que estava com saudades de mim. Dizem que os sonhos são os nossos desejos mais profundos. Dizem que sonhos são presságios. Dizem que sonhos são quando os espíritos se encontram. Dizem muitas coisas sobre os sonhos, só que a verdade ninguém sabe, afinal, ninguém é responsável por aquilo que sonha. Eu sonhei. Só isso.

 

A verdade é que eu sim estou morrendo de saudades. Eu ainda sinto o cheiro dele no meu quarto. Não sei se é pelo porta-retrato, pelas roupas que ficaram aqui, pelos DVDs que estão na gaveta ou se é o violão. Mas se eu tivesse me livrado de tudo isso seria diferente? Será que eu não estaria com tanta saudade assim?

 

Me fez tão mal e o sentimento não mudou.
Me fez tão bem e em algum lugar isso tudo morreu ((pra ele.)).

Nem todos os meus desejos me fizeram entender que ele já foi embora e que não vai voltar. Nem todas as vidências aconteceram. O nosso espírito nunca mais se encontrou, pelo menos não na sintonia maravilhosa que tínhamos.

 

Acho que eu só sonhei que um dia essa sintonia existiu, assim como a saudade dele no meu sonho.

 

As pessoas gostam tanto de nos julgar não? Tenho evitado o máximo que posso em tocar no nome dele. Ninguém aceita ou muito menos entende. Costumam dizer que a minha vida parou quando ele foi embora ((quando na verdade ela apenas perdeu a direção. Mas perdeu muito a direção, visto que até agora procuro pelo menos pelo meu chão.)). Nesse quase um ano eu errei tantas vezes querendo acertar, tentando tomar um rumo, mas a cabeça estava sempre nele. Eu beijei pessoas óbvias, as mesmas de sempre, daquelas que você sabe que em nada te afetam, mas nada de pessoas diferentes por puro medo. Me deixa em pânico pensar em me envolver com qualquer pessoa, por medo de passar tudo o que passei de novo. E também por sentimentos estranhos que só eu sei e não conseguiria nunca explicar.

 

Não posso mentir… Tem um alguém que anda me fazendo muito bem… E eu vou tentar não fechar mais os braços.

 

Quem sabe assim, eu paro de sonhar… E começo a dormir melhor…

 

 

Ouve: Shao Lin (Invasores)
“Ontem sonhei que era um pássaro
E quando acordei
Me perguntei
Se era um pássaro sonhando ser eu
Desde este instante não tive mais a chance de me ver como antes
Raia dia após dia
E vem um canto me inspirando e eu não posso parar
A minha jornada por sabedoria sem fim
Que ninguém pode fazer por mim
Que mais parece um sonho
Que mais parece um sonho

Você duvida mas quer saber como é…
Errar é humano
Insistir no erro ainda mais
Quem acha que sabe tudo não sabe nada
Quem acha que sabe tudo não sabe nada
E seu dissesse
Que a ira afundou num blues
E se tivesse uma maneira simples de tentar descobrir
Se é real aqui ou quando eu sonho… “

 

 

Se tem uma coisa que eu odeio, são frases feitas. Aquelas que todo mundo usa, e das duas, uma: usa por ingenuidade ou usa por não ter nada a dizer. Eu poderia passar dias aqui relatando as mais faladas ((que por conseqüência são as mais ridículas.)), mas falar sobre uma delas me basta. Com o tempo você aprende que elas são grandes mentiras que a humanidade inventa para que possam ter fé em algo.

 

“Aqui se faz, aqui se paga.”. Hahahaha! Sim, morro de rir! E quer saber o por quê? Porque as coisas não são bem assim. As pessoas querem acreditar que tudo na vida tem um ciclo natural. Que se alguém te faz, te deseja ou te planeja algum mal, vai voltar pra esse alguém. Sinto, me dói na alma quebrar o “mundinho ilusório” das pessoas que almejam um troco bem dado, mas, não, não vai acontecer nada. O mundo é dos espertos. Gente que só faz o bem e se faz de trouxa só se dá bem de verdade em novela mexicana. Em toda minha vida eu nunca vi uma só pessoa que tenha se dado extremamente bem na vida sem subir em cima de alguém. Seja no profissional, no sentimental, familiar, animal, foda-se, no que for.

 

Eu também já acreditei que todo o mal que me fizeram iria voltar. Também acreditei que sendo uma pessoa boa e solidária as coisas melhorariam. Besteira! Se eu tivesse sido uma pessoa ruim desde o inicio eu teria tudo na minha mão. Tudo o que aquelas pessoas que me pisaram hoje tem de sobra. Se eu tivesse sido ruim, eu teria chorado menos, sofrido menos, morrido menos. E o que me dá mais raiva é que eu me acostumei a ser “boazinha”, a falar “manso”, o que não combina muito com a minha arrogância e estado de nervos constante; e já que tocamos no assunto: Se eu sou assim, é porque no mínimo, ao longo de tanto tempo sendo pisada e humilhada, criei certa couraça. Eu não quero dar mais sorte ao azar. Eu não quero que as pessoas novas ((nem de pessoas novas eu gosto muito, elas são mestres em me fazer mal.)) cheguem já pensando que estão lidando com uma otária. Não que eu não seja, mas ninguém precisa saber de cara que eu sou presa fácil pra qualquer maldade.

 

Bate em mim e não volta pra pessoa. Ficar puta com isso, eu fico. Mas me deixa feliz por ainda ser exceção em algo no mundo, já que o mundo anda tão igual. Eu não sou um espelho que vai te refletir mais tarde, nem um espelho que você aponta um controle remoto. Nem um espelho que pode causar um incêndio em uma floresta. Muito menos um espelho que te dá sete anos de azar quando você quebra.

 

Na verdade, uma grande idiota é o que eu sempre fui. A vida não é uma novela. A vida é um jogo. Isso quer dizer que ainda restam chances, pois jogar eu ainda sei. Foda é administrar quando se está ganhando. Sempre fui péssima em administrar qualquer coisa.

 

Eu nunca aprendi a jogar Damas, mas eu sei jogar Xadres.

Eu nunca aprendi Truco, mas eu sei o Tarô.

Enquanto todo mundo aprendia a andar de bicicleta, eu já tinha na ponta da língua a tabuada do 2 e as capitais dos Estados brasileiros.

Enquanto todo mundo ouvia Xuxa, eu ouvia Beatles.

Enquanto liam a “Coleção Vagalume”, eu lia Nostradamus.

 

 

Enquanto aprendiam a trepar, eu já sabia o que era amor.

 

Ouve: A Bola da Vez (Engenheiros do Hawaii)

“Beleza e horror de um jogo de azar…”

Sábado eu estava assistindo OZ de madrugada. É impressionante como eu só funciono a noite ((Vocação única pra ser vampira, se não fosse o fato de adorar praia…)). A cabeça estava a mil, eu tinha chorado o dia todo sem motivo nenhum, apenas pela mesma “emo-bichisse” de sempre. Só por chorar.

 

Do que eu tava falando mesmo?
Ah, OZ…

 

Eu assisto essa série desde a minha adolescência, a maioria dos capítulos com o Hugo. A gente comentava de tudo, dos crimes, penas, corredor da morte, peitos, bundas, picas, Chris Keller, etc. Eu vivia torcendo pelas quartas-feiras. Enfim. Sábado de madrugada. Assistindo OZ.

 

A irmã Marie, psicóloga e freira da prisão, disse ao Keller: “Não escolhemos Deus. Deus é quem nos escolhe.”. É, isso é uma grande verdade… A maioria das pessoas já nasce sabendo que tem que amar e temer a Deus. Eu não fui diferente. Eu também não tive escolha. Eu vivi acreditando que acima de mim existia alguém bom e fiel, que me ajudaria quando eu precisasse, acreditando que alguém sempre me ouvia nos meus ataques de loucura silenciosos e internos. Logo, a frase “Não escolhemos Deus.” pode ser muito bonita e poética. Mas já tentou lê-la no sentido literal? Não escolhemos. Escolhem pela gente. Deus te abençoe, Deus me livre, Vá com Deus, Fique com Deus, Durma com Deus, Deus isso, Deus aquilo…

 

Acho que não quero falar os meus motivos pra não acreditar mais em Deus, além do óbvio ((Olhe o mundo ao seu redor.)).

 

Mas se ele é tão justo quanto as pessoas dizem, por que ele não me escolheu? Eu o escolhi tantas vezes. Até me meti a pregar na época do colégio… Não me escolheu pra ser feliz. Não me escolheu pra ser bem sucedida. Não me escolheu pra ser alguém com mais confiança em mim mesma. Não me escolheu pra nada, nem mesmo para a morte que desejei tantas vezes. Eu me pergunto quem sou, o que faço, eu que quero ser. E sempre escuto, até mesmo dentro de mim: O que Deus quiser.

 

O que Deus quer? Tudo que existe no mundo é por que ele quer? Ele deve ser um cara bem legal, né?  Será que ele não está afim de tomar um vinho comigo, fumar um cigarro, tomar um vento fresco ou até mesmo me mostrar um caminho?

 

 

Chris Keller – “Me escolha Deus!”

 

 

Não, não. Ele é muito ocupado. Porque se interessaria pela minha vida? Ou pela minha morte? Eu sou só mais uma.

 

 

Aliás, qualquer dia desses quero escrever sobre esse personagem desse ator que me fascina. Só sendo bem chata, vou contar o final: Ele morre por amor…

E não, coincidências não existem.

 

 

Ouve: SOS Solidão (Lulu Santos)

 

Se existe alguém na linha
Se tem alguém no ar
Por favor, responda agora
Não me faça esperar
Há uma certa urgência
Alô, informação?
Aqui sou eu sozinho
Do outro lado, não sei não, sei…

 

Instalei uma antena
E lancei um sinal
Nada no radar
Procuro no dial
Aviso aos navegantes
Tem mais alguém aí?
Só ouço o som da minha própria voz a repetir:

SOS solidão…”