E é uma pergunta que não cala a cerca de dois anos: Pra onde vão os sentimentos depois que nos libertamos deles? Às vezes me pego pensando nisso e passo horas tentando entender onde fica o que sempre juramos ser eterno.
Dizem por aí que amamos uma vez só na vida, o que é uma grande mentira. A diferença é que as pessoas não compreendem que existem milhões de formas de amar e ao longo da nossa vida aprendemos a amar com intensidade. Amor de amigo, amor de irmão, amor de carne, amor profundo.
Eu amei o Leandro e se for pra nomear eu diria que foi um amor fraterno. Freud explica: não existia a necessidade do contato físico. Bastava apenas um olhar para perceber a felicidade dele aí então estava tudo bem. Eu amava a beleza dele, o jeito dele e tudo o que ele fez por mim. Ele foi meu aprendizado para tudo que estava por vir: me ensinou o que era o amor.
O menino Hugo foi o palco do amor diferente, instável e profundo. Freud explica²: Eu precisava dele enquanto tinha, mas fiquei 2 anos sem ao menos vê-lo e ainda assim amava, mas já não precisava. Tinha picos de “precisão”, chorava, pensava em suicídio, mas depois eu ficava bem. Eu sempre soube que ele estava bem e não eram pelas notícias, a minha alma sabia. Eu apenas o conhecia muito bem e sabia que ele dava conta. Menino de alma forte, a carne fraquíssima, mas a alma, por mais que judiada foi uma das mais fortes que eu conheci. O menino Hugo merece um post só pra ele e quem sabe um dia eu faça ((Maybe eu não faça. Seria muita coisa pra contar e poucas para se entender. Ninguém nunca se importou ou ao menos entendeu esse meu amor doentio por ele. Nem ele.)). E eu estaria mentindo se eu disser que eu não o amo mais. Eu amo! Mas é amor puro, amor de amigo, adoro passar horas conversando com ele e ter a certeza que não o amo mais daquela forma. Amor de saudade, a saudade que eu sinto cada vez que me lembro daquele molecote que me fazia rir, que dançava e dos cílios compridos que eu sempre quis arrancar e colar em mim. E é possível dizer: o menino Hugo foi o amor da minha vida. E nenhum outro vai mudar essa certeza, até porque os sentimentos que mais nos marcam são aqueles mais improváveis. “Eu amava como jamais poderia se soubesse como te encontrar…”
Onde é que foi parar o amor tranqüilo do Lê e o amor diferente do Gu? Não lembro quem me falou que os sentimentos verdadeiros não mudam, apenas se transformam. Não sei. Verdadeiros eles foram, sem dúvidas.
Sabe qual é o sentimento que sempre se mascara e nunca muda? O ódio. Que me atire a primeira pedra quem provar que eu estou mentindo. Passamos a vida toda driblando o ódio ((até porque odiar é cansativo e me enche de preguiça)). Preguiça… eu tenho preguiça de perdoar as pessoas que não me interessam. As que me interessam eu perdôo sem reservas ((Aliás, deve ser porque eu não odeio e sim porque eu tenho meus famosos ataques de fúria e saco cheio. Day, Thi e Gu que o digam – já me fizeram muito mal e eu que não sou santa fiz também. Aí eu planejo milhões de coisas pra dizer que somem com qualquer olhar ou tom de voz)). Amor e ódio caminham lado a lado, mas existe ódio sem amor. Amor sem ódio, maybe. Maluca? Analisa então: Quem nunca odiou o ex da pessoa que ama? Quem nunca odiou o amigo do melhor amigo? É paralelo, mas não deixa de ser ódio. É como o amor: também deixa marcas, também se transforma.
Mas heim, já que o assunto é a porra do amor e não foge muito o tema… Eu parei pra pensar e acho que me tornei uma pessoa cafona! ((Não que eu já não era…)). Eu acho a forma de amar da maioria das pessoas um tanto quanto patética… Tem uma menina no meu trabalho que namorou 4 anos com um cara, e segundo ela, amava ele demais. Uma vez no treinamento ela tava puta da vida porque fuçou no computador dele e descobriu uma pasta cheia de filme pornô. Ela não admitia que ele os visse sem ela, que isso pra ela era como uma traição. E o namoro simplesmente acabou por conta de uma traição e não foi porque ela viu um filme sem ele, e sim por uma traição física. Da parte dela. E ela diz não sentir falta, mas isso quem sabe é o travesseiro dela. Ou o tal do lugar pra onde os sentimentos vão…
E quantos namoros eu vi acabando… Aqueles que na primeira semana tinham como enfeite a frase “eu te amo”, na segunda “eu te amo pra sempre”, na terceira “eu te amo pra sempre e vamos nos casar” e na quarta “eu nunca te amei, adeus”. Uma vez eu tive um flashback e fui infeliz em contar pra minha amiga que a coisa pegou fogo. Escutei um sonoro e delicado: “Você já ia dar?” Pensa: É feio eu ir pra cama com alguém especial pra mim, mas ir com alguém quem você nem conhece é bonito pra caramba né? É melhor eu ficar quieta… Definitivamente eu sou cafona. Eu gosto de coisa profunda, de verdade. O que me faz lembrar de Marilinda, na época do colégio. Tão nova e tão madura, sem duvida um espelho pra mim. Só que eu demorei uns 10 anos pra aprender o que ela sempre soube:
O amor de verdade merece respeito. E daí que você não esteja com a pessoa? Respeitar os sentimentos, isso eu aprendi que é fundamental. Eu não me arrependo dos acidentes de percurso desses dois últimos anos ((ficar afim do Thaynan a ponto de achar que eu seria capaz de amá-lo, ou até mesmo me apaixonar pelo Pedro porque ele me tratava como eu merecia.)), mas eu me arrependo das coisas que eu fiz de propósito: beijos sem paixão, momentos de semi-luxúria, onde sinto nojo de mim em lembrar que alguma mão que não foi a dele me tocou nesse meio tempo. Esse lance de pegação só tem graça na hora, depois que o dia vira se torna uma encanação. Não, eu não quero ficar nesse amor pra sempre. Só quero respeitá-lo enquanto for meu, enquanto está ao meu alcance. Vai que um dia ele some, e no meu peito sobrem apenas saudades? Boba? Maybe. Sincera comigo mesma? Sempre. Eu não coloco uma couraça na frente do que sinto apenas pra posar de forte ou de foda. Eu não finjo ser extremamente feliz apenas pra impressionar. Forte eu sou, foda e feliz também, mas esse aspecto me enfraquece, me deixa vulnerável. Não estou aberta ainda a novos ares. Nem disposta ((novos amores me cansam e eu ando esgotada: trabalho, amigos, família e a cirurgia)). Não quero me permitir a uma coisa que eu mesma não tolero mais nem nos outros. Não quero mudar de amores como mudo de roupa e nem inventar novos para maquiar o que acontece de verdade por aqui.
Como chama o amor que é do Thi? Incondicional.
Ouve: Kalimando (Cirque Du Soleil)