Arquivos Mensais: Fevereiro 2009

Hum, então ta. É. Pode ser apenas mais um pico.

 

Ah essa vida tão cheia de surpresas… Enquanto eu brigava com o layout desse site, porque o post não estava como eu queria… Talvez foi porque não era o que eu queria. O que eu queria estava pra acontecer.

 

E foi um dos posts mais importantes, certeza. De repente tudo muda e eu estou mais do que feliz. Então, corrigindo o que disse ontem:

 

Não é quando as coisas estão calmas que se é tempo de aproveitar, e sim, quando te fazem, mesmo que em frações de segundo, se sentir a melhor pessoa do mundo. Quando você ouve apenas o que quer ou merece ouvir. Quando só o lado bom do sonho acontece. Quando você vê apenas o que quer ver.

 

Se eu sei o que vai acontecer depois? Sei.

Mas eu desaprendi a sofrer por antecipação, desde que aceitei que isso é um Karma. E Karmas são assim: Ou você surfa, ou bebe do seu próprio veneno.

 

Eu gosto de surf. E de venenos.

 

Ouve: Só o que me Interessa ((Lenine))

“Às vezes é o instante

A tarde faz silêncio

O vento sopra ao meu favor

Às vezes eu pré-sinto

E é como uma saudade

De um tempo que ainda não passou.”

=)

Sabe por que eu nunca estou satisfeita com nada? Porque a minha vida é sempre baseada em picos de alegria ou em picos de tristeza. É difícil quando você se sente numa alegria absoluta e vem algo pra derrubar. E derruba mesmo.

 

Enfim, quando tudo parece ser normal é tempo de aproveitar. Sem pico de nada. “Eu tenho muitos amigos, tenho discos e livros.”. Ando até estranhado essa calmaria. No trabalho está tudo bem. Digo, não tão bem. Às vezes a gente espera demais e acontece de menos. Mas quebrar a cara faz parte da rotina, então tudo bem.

 

Acho melhor eu não relatar as coisas que andam acontecendo… Eu sempre vou achar um defeito em tudo. E eu não quero, porque sei que está tudo bem.

 

Fato é que tenho que descer os saltos do armário. A Val tá voltando hoje pro Brasil, agora pra ficar e segundo ela, meu ano de “folga” acabou. Ela odeia meus All Star’s coloridos. Cabelo azul nem pensar. E ela me muda tanto e mesmo assim eu não enjôo, não desgosto, não me afasto. É uma diferença que funciona e, diga-se de passagem, não me incomoda. Raro. Eu sou muito chata para amizades. Não gosto que ninguém me julgue, critique ou tente mudar. Acho que o que faz a nossa amizade ser tão foda é o fato que as nossas diferenças são o que temos em comum. Essa nem Freud explica… “Ela me faz tão bem, ela me faz tão bem, que eu também quero fazer isso por ela…”.

 

Variações… Nulas. Se me dói? Hum, depende do ponto de vista. Eu sei que tudo o que eu tenho pra falar nunca será dito. Então parei de fabricar os tumores em relação a isso. Me acostumei a sentir falta, me acostumei ao nó na garganta e aos sorrisos quando eu lembro de tudo que é bom. Sabe quando uma coisa já é tão parte de você que se torna automático? Na minha vida, bem ou mal, ele é automático. Trabalhar e quebrar a cara lá, automático. Valéria, automático. All Star, mega automático. Falar com a Mandy quando chego do trabalho, atomatiquissimo. Mas não é um “automático” monótono. É um “automático” que me impulsiona. Necessário. E é tão bom descobrir que necessidade é a única palavra da língua portuguesa que eu entendi o verdadeiro significado. Necessidade nem sempre é preciso. Apenas o uso da precisão basta. Aprendi a pensar pequeno…

 

E se eu não me conhecesse, eu pensaria que tudo é paixão. Mas como eu me conheço pra lá de bem, sei que é fogo de palha. Mas me tem feito sorrir. Sem necessidade e sem uso de precisão. É diferente de tudo o que eu já senti, embora meu coração já tenha me confundido muito. Pode ser que sim, pode ser que não, em alguns aspectos. No que me interessa eu sei que é não. Hoje eu sinto, e amanhã eu sei que sinto também. Depois de amanha eu já não sei. Mesmo não sendo a primeira vez. Mas quero conservar pra sempre o sorriso lindo dele, pra que não seja mais uma lembrança boa. Quero que seja automático pensar bem dele.

 

“Calma, tudo está em calma…”

=)

 

E eu tenho mania de buscar vida onde não tem. Na rua de baixo da minha casa passa um rio. Poluido, óbvio. Faz mais ou menos um ano que começaram a canalização dele. É caminho de ida e de volta de casa todo dia. E não é que no meio de um monte de terra suja e entulho, nasceram quatro pés de tomate, com os frutos já brotando? Meu, eu não acreditei quando eu vi ontem à noite aquilo! Num lugar tão morto, tão invalido!

 

Isso me faz pensar: mesmo que tudo seja horrível, sempre é tempo de renascer. Renovar. Isso é automático!

 

Ouve: A Idade do Céu (Zélia Duncan & Simone)

“Calma

Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure

Deixe que o tempo cure…”

 

 

 

Hoje me bateu uma saudade enorme do meu Humberto. E doeu, pela primeira vez em muito tempo. Senti saudade de dormir em porta de show, de correr pra grade, de cantar, de chorar. Senti saudade de ouvi-lo, de olhá-lo. É tão difícil explicar certas sensações. Senti saudade da viagem mais difícil, do cheiro do ônibus, da melhor companhia. Senti saudade dos olhinhos de alguém, do sorriso mais lindo que eu já vi, dos cabelos cobrindo o rostinho…

 

Sabe quando seus olhos marejam? Não chegam cair lágrimas, mas seu rosto fica com a impressão de uma imensa tristeza. E mais uma vez eu tentei ouvir “Pouca Vogal”, mas não deu. Além de ser ruim pra cacete eu me senti traindo os meus meninos, e então eu desliguei pra não me sentir mais triste do que eu já estava. Eu não aguento mais as pessoas perguntando se eu vou à gravação do DVD. E o pior é que essas porras fazem de propósito, porque eles sabem que eu não aceito esse projeto. E não é porque eu não quero aceitar. Eu não consigo. O que faz o peso de um nome de uma banda dentro do meu peito… Acho que é primeira vez que eu consigo falar do “Pouca Vogal”. E é tão difícil falar, tanto que estou aqui enrolando, sem saber realmente o que eu quero dizer…

 

((Olhos não tão marejados assim. Ouvindo “A Promessa”, estou aqui aos prantos… Nossa meu… Que saudade…))

 

E saudade é um sentimento tão pessoal meu…

 

E de repente tanta coisa perde a graça. A TV digital só serve pra você demorar mais tempo de descobrir que não tem nada de útil pra se ver. Não gosto mais das minhas tatuagens nem dos meus piercings. Não me sinto bem dentro em nem fora de casa. Eu preciso de estrada. De estrada com motivo. Tudo que é novo ou semi-novo me seduz demais. O suficiente pra me fazer quebrar a cara. Já não gosto mais tanto assim do lugar que eu trabalho, meu cabelo ta caindo e as unhas estão fracas. Uma das cicatrizes das cirurgias, pelo menos até agora, está feia, infeccionada e não quer sarar.

 

Eu gostava de passar uma semana inteira me arrumando pra ver o Humberto. Pintava o cabelo ((seja lá qual fosse a cor)), a unha tinha que estar impecável, o rosto sem espinhas. E sem mentira, eu passava mais de uma hora fazendo maquiagem e mais de 3 fazendo chapinha no cabelo. E eu nem ligava se chovia e o cabelo enrolasse ou desbotasse. E eu nem ligava de suar e a maquiagem escorresse. Ou seja, era um trabalho inútil, mas fazia o tempo passar mais rápido, de encontro com a minha felicidade. Ou pelo menos existia algo que me motivava a cuidar de mim. E agora?

 

Acho que amo tanto meu Humberto e meus meninos, pelo fato de que por mais que as coisas dessem erradas, pra mim estavam sempre certas. E quando elas eram realmente certas, eu me enchia de orgulho de mim, deles, da minha persistência e da melhor companhia. “Engenheiros” foi a única coisa que deu certo de verdade na minha vida. E não, nunca foi abstrato.

 

E eu daria tudo pra ver meus meninos tocando hoje nem que fosse uma só música. Ou como eu sempre dizia, ver meus nenéns tocando pra mim.

 

 

Ouve: Não Consigo Odiar Ninguém (Engenheiros do Hawaii)

 

“Como passam as vontades

Que voltam no outro dia…”

“A pior ferida é apunhalada no coração. A maioria sobrevive, mas o coração não é mais o mesmo. Sempre haverá uma cicatriz que visa, eu acho, lembrar que mesmo por pouco tempo, fizeram seu coração bater mais rápido. E é uma cicatriz que se pode viver com orgulho dela todos os dias da sua vida.”

 

Eu estava assistindo Oz, pra variar. Me deparei com essa frase.

Não foram os 2 anos mais felizes, apesar dos momentos bem legais.

Mas com certeza foram os 2 anos em que o meu coração bateu mais forte.

E arrecadou cicatrizes. Se me dão orgulho? Maybe…

 

Ouve: Todo Azul do Mar (14 Bis)

 

“Foi assim como ver o mar
A primeira vez que seus olhos

Se viram no meu olhar

Não tive a intenção de me apaixonar

Mera distração e já era

Momento de se gostar…”

Cara, no livro “O Alquimista” do Paulo Coelho tem uma passagem que diz mais ou menos que com o passar dos anos o nosso coração para de falar conosco se paramos de ouvi-lo. E eu confesso que havia parado de escutar o meu há um bom tempo. Meu coração e minha consciência se calaram. Mas ontem, na volta do trampo ele tava um tanto quanto tagarela. Não foi um bom dia.

 

Eu sempre achei que eu tinha um coração ruim, mas eu descobri que ele é realista. Há meses eu tenho pensado muito em comprar um Labrador ou um Beagle, mas ontem eu desisti da idéia. E eu to sofrendo horrores por me desfazer dele. Digo me desfazer dele porque pra mim ele já existia, eu já estava preparada pra a chegada dele. É difícil até contar o porque da desistência. Contei pra mamãe e pra Mandy e nas duas vezes eu chorei. Ontem eu vi uma coisa, que meu… Indo pro trabalho, eu estava na calçada esperando o farol fechar e na minha frente o cachorrinho de uma garota se soltou da coleira e saiu a milhão pra atravessar a rua. Eu ainda tentei gritar “NÃO!!”, mas o que ia adiantar? Ele não ia me ouvir e nem os carros. O barulho foi horrível, o choro dele foi pior ainda, a dona se jogando na frente dos carros pra tentar salva-lo ((ainda bem que ela conseguiu)), ver ele tentar se levantar se arrastando, ela com ele nos braços sem rumo, sem saber pra onde levar, olhando pras pessoas que indicavam a direção do veterinário… Me fez pensar que eu não ia ter peito pra segurar uma bronca, de sei lá, ver meu bichinho adoecer, se machucar… Talvez meu coração não seja tão ruim assim né? Será que isso foi um aviso? Sei lá, só sei que desisti. E não tem essa de “Graças a Deus ele sobreviveu”. Bobagem. Se Deus existisse não deveria permitir certos tipos de coisa. Porque Deus castigaria um animalzinho dessa maneira? Ele queria ver a dona dele sofrer? Será que ela é uma pessoa tão má assim, a ponto de merecer isso? Esse tal de Deus é a maior piada que alguém conseguiu inventar.

 

Viu a chuva de ontem? Lá do 9º andar não dava pra saber que estava tão forte. Tentei descer pra fumar um cigarro e todos os elevadores estavam no 13º andar. Quando finalmente consegui descer entendi o porque: Era pra que evitasse que entrasse água no poço dos elevadores. A recepção, devido à chuva com vento estava alagada. Detalhe: É em uma ladeira. Desci pra garagem então pra fumar e foi me dando um treco ruim no peito, e eu que já não estava bem desabei a chorar. Aquela água entrando por todos os lados, o ventos, os trovões que tremiam o prédio todo, o pensamento no cachorrinho, o desespero dos 26 anos chegando e a fiel TPM quase fizeram com que eu saísse correndo de lá. Joguei metade do cigarro fora, e voltei pra minha mesa, com os pés molhados. Um olhar curioso me fez olhar pra cidade da janela e o que eu vi foi a cidade literalmente debaixo d’água e a chuva não parava. Quando deu a hora de ir embora, a água já estava baixando e tinha lixo e lama pra todo lado. Passinhos curtos pra não escorregar na lama, tentando fechar os ouvidos pras infindáveis buzinas e falando os piores palavrões para os banhos de lama dos carros adoráveis. E me deu mais uma crise de choro, porque eu olhei pra frente e vi um velhinho que mal conseguia atravessar a rua com aquelas muletas e os chinelinhos na lama. Meu coração repetia sem parar: Mundo filho da puta do caralho. Mundo de merda.

 

Onde está o seu Deus que permite que a maldade entre na vida das pessoas dessa maneira? O meu câncer, a judiação do cãozinho, a cidade se acabando, o velhinho que não conseguia atravessar, as crianças que morrem na Palestina, os cargueiros derramando óleo no mar ((O preço do progresso é o caralho!)). Ele não é o onipotente? Não é o justo? O poderoso? Se é ele mesmo que colocam as pessoas no mundo e não uma foda bem dada, pra que fazer as pessoas sofrerem? Pra testar a fé? Bullshit! Jesus era um homem bom que por acreditar nessa mentira derramou seu sangue à toa. Foi à toa sim, porque o mundo continua uma merda e Deus não faz nada pra mudar. Onde estava o piedoso? Ou seja, não importa o quão bom ou ruim você seja. O seu Deus é mau. Fazendo uma analise de todos os tempos, quando foi que vimos o mundo em paz? Nunca! Se ele existe, ele permitiu a criação das armas de fogo, a poluição e as pessoas mal intencionadas. Um castelo valendo milhões, um senado sujo, um jogo de futebol adiado, mas um carnaval impecável. Luxuria! E mais um avião cai! E outro! E todo mundo diz que tudo vai ficar bem “se Deus quiser”. Mas ele simplesmente não quer.

 

E eu podia usar um dos meus mais clássicos palavrões pra responder onde está o seu Deus. Mas a queda do teto da igreja Renascer responde melhor. “A casa de Deus”. Tsc tsc tsc…

 

Ouve: Realidade Virtual (Engenheiros do Hawaii)

 

“A neblina encobre o Cristo
E a lagoa se ilumina
Com edifícios de cabeça pra baixo
E refletores do Jockey Club

Na outra janela
O sol sempre brilha

Vídeo-guerra

Vídeo-reino-dos-céus…”

… já dizia minha boa e velha avó Adélia ((dentre outras frases sabias dessa grandiosa mulher…)).

 

Não quero enumerar quantas vezes eu me fodi apenas pelo fato de abrir a boca quando eu não devia. Foram muitas e se eu tivesse ficado calada, hummm, muita coisa seria diferente. O que me dá raiva é a “Boca de Bruxa” pra coisa ruim. Se eu tivesse uma boca dessa pra ganhar na Mega… ¬¬

 

E meu, eu sei que nessa altura do campeonato da vida ninguém acredita que eu falo as coisas na inocência, sem maldade. Só porque eu já to velha, quando faço minhas “previsões” as pessoas costumam acender velas pretas, agarrar seus terços, fazer o sinal da cruz e invocar todos os nomes de santos possíveis. Mas sai sem querer, eu juro.

 

E olha só que ironia: eu sempre falei na brincadeira que eu ainda ia ter câncer. Freud explica: Todo mundo fala por aí que câncer é mágoa, coisa guardada. “Eu tenho tanta alegria adiada, abafada, quem dera gritar…”. Eu guardo tantas coisas dentro de mim que ninguém sabe, tanto boas ((Sim, você carrega um par de chifres no meio da testa palhaça! – Ou seriam “palhaças”?  Kkkk)) quanto ruins ((¬¬)), que de tanto guardar uma hora tinha que sair por algum lugar. E eu esperava que fosse pelo cu, mas não foi. Esse lance de guardar as coisas me rendeu um câncer de pele. Pois bem, a pessoa que aqui escreve está com cinco cortes no ombro, pescoço e tórax, morrendo de dor, cheia de pontos e esperando o resultado da biopsia.

 

Será que se eu falar que quero que o Sol se apague é meu cu que vai pagar também? Então ta, não vou desejar isso não, até porque ando sentindo saudade de finais de tarde na beira do mar… Mas digo, tal como Pedro Bial: Usem filtro solar. Fator 5.600. E eu to falando sério. ((Acredita q eu nunca ouvi ou li esse texto dele?)) Foi o Sol que fez isso comigo só porque eu não gosto muito dele. Minha pele é muito branca, sol faz calor, que faz com que a gente sue, que faz com que os ares condicionados fiquem ligados por mais tempo, poluindo o meio ambiente, adoecendo as pessoas. O ar contaminado causa câncer né?

 

Eu saí da sala da cirurgia louca pra fumar um cigarro e não fumei. Decidi naquele momento que ia cuidar mais de mim. Acho que foi a sensação ruim que aqueles bisturis e lâmpadas em cima de mim causaram. E nos dias que eu decido que eu não vou mais fumar é o dia que eu mais fumo. E não dá mais pra usar a desculpa que eu fumo muito quando eu estou nervosa. Eu me tornei uma pessoa nervosa para todas as horas, ou seja, não existem mais situações, já faz parte de mim. O que acontece com freqüência ((O Word não me deixa tirar a trema do “U” ¬¬)) são crises de stress, mas diminuiu bem viu? Faz um tempão que eu não choro. Mentira, chorei sábado, mas foi um choro feliz num momento com a minha sobrinha, que com 2 anos, percebeu que o logotipo da Vivo na tela do meu celular era igual ao do chaveiro pendurado nele. Ela olhou pra mim e disse: “Olha Tia, é igual!!” É, não tem coração que agüente. ((Merda de trema ¬¬)). E sem contar quando ela viu meus curativos disse: beijinho pra sarar. Certas coisas me fazem tão bem que eu chego a esquecer que sou um monstro.

 

Do que era que eu tava falando no começo do post mesmo?

Xi, que bagunça… Vou trocar os curativos então. Beijo, me liga!

 

Ouve: Carta aos Missionários (Uns e Outros)

Vindo de todas as partes, indo pra lugar algum
Assim caminha a raça humana, se devorando um a um
Gritei para o horizonte, e ele não me respondeu
E então fechei os olhos, sua voz
Assim me bateu…”

E é uma pergunta que não cala a cerca de dois anos: Pra onde vão os sentimentos depois que nos libertamos deles? Às vezes me pego pensando nisso e passo horas tentando entender onde fica o que sempre juramos ser eterno.

 

Dizem por aí que amamos uma vez só na vida, o que é uma grande mentira. A diferença é que as pessoas não compreendem que existem milhões de formas de amar e ao longo da nossa vida aprendemos a amar com intensidade. Amor de amigo, amor de irmão, amor de carne, amor profundo.

 

Eu amei o Leandro e se for pra nomear eu diria que foi um amor fraterno.  Freud explica: não existia a necessidade do contato físico. Bastava apenas um olhar para perceber a felicidade dele aí então estava tudo bem. Eu amava a beleza dele, o jeito dele e tudo o que ele fez por mim. Ele foi meu aprendizado para tudo que estava por vir: me ensinou o que era o amor.

 

O menino Hugo foi o palco do amor diferente, instável e profundo. Freud explica²: Eu precisava dele enquanto tinha, mas fiquei 2 anos sem ao menos vê-lo e ainda assim amava, mas já não precisava. Tinha picos de “precisão”, chorava, pensava em suicídio, mas depois eu ficava bem. Eu sempre soube que ele estava bem e não eram pelas notícias, a minha alma sabia. Eu apenas o conhecia muito bem e sabia que ele dava conta. Menino de alma forte, a carne fraquíssima, mas a alma, por mais que judiada foi uma das mais fortes que eu conheci. O menino Hugo merece um post só pra ele e quem sabe um dia eu faça ((Maybe eu não faça. Seria muita coisa pra contar e poucas para se entender. Ninguém nunca se importou ou ao menos entendeu esse meu amor doentio por ele. Nem ele.)). E eu estaria mentindo se eu disser que eu não o amo mais. Eu amo! Mas é amor puro, amor de amigo, adoro passar horas conversando com ele e ter a certeza que não o amo mais daquela forma. Amor de saudade, a saudade que eu sinto cada vez que me lembro daquele molecote que me fazia rir, que dançava e dos cílios compridos que eu sempre quis arrancar e colar em mim. E é possível dizer: o menino Hugo foi o amor da minha vida. E nenhum outro vai mudar essa certeza, até porque os sentimentos que mais nos marcam são aqueles mais improváveis. “Eu amava como jamais poderia se soubesse como te encontrar…”

 

Onde é que foi parar o amor tranqüilo do Lê e o amor diferente do Gu? Não lembro quem me falou que os sentimentos verdadeiros não mudam, apenas se transformam. Não sei. Verdadeiros eles foram, sem dúvidas.

 

Sabe qual é o sentimento que sempre se mascara e nunca muda? O ódio. Que me atire a primeira pedra quem provar que eu estou mentindo. Passamos a vida toda driblando o ódio ((até porque odiar é cansativo e me enche de preguiça)). Preguiça… eu tenho preguiça de perdoar as pessoas que não me interessam. As que me interessam eu perdôo sem reservas ((Aliás, deve ser porque eu não odeio e sim porque eu tenho meus famosos ataques de fúria e saco cheio. Day, Thi e Gu que o digam – já me fizeram muito mal e eu que não sou santa fiz também. Aí eu planejo milhões de coisas pra dizer que somem com qualquer olhar ou tom de voz)). Amor e ódio caminham lado a lado, mas existe ódio sem amor. Amor sem ódio, maybe. Maluca? Analisa então: Quem nunca odiou o ex da pessoa que ama? Quem nunca odiou o amigo do melhor amigo? É paralelo, mas não deixa de ser ódio. É como o amor: também deixa marcas, também se transforma.

 

Mas heim, já que o assunto é a porra do amor e não foge muito o tema… Eu parei pra pensar e acho que me tornei uma pessoa cafona! ((Não que eu já não era…)). Eu acho a forma de amar da maioria das pessoas um tanto quanto patética… Tem uma menina no meu trabalho que namorou 4 anos com um cara, e segundo ela, amava ele demais. Uma vez no treinamento ela tava puta da vida porque fuçou no computador dele e descobriu uma pasta cheia de filme pornô. Ela não admitia que ele os visse sem ela, que isso pra ela era como uma traição. E o namoro simplesmente acabou por conta de uma traição e não foi porque ela viu um filme sem ele, e sim por uma traição física. Da parte dela. E ela diz não sentir falta, mas isso quem sabe é o travesseiro dela. Ou o tal do lugar pra onde os sentimentos vão…

 

E quantos namoros eu vi acabando… Aqueles que na primeira semana tinham como enfeite a frase “eu te amo”, na segunda “eu te amo pra sempre”, na terceira “eu te amo pra sempre e vamos nos casar” e na quarta “eu nunca te amei, adeus”. Uma vez eu tive um flashback e fui infeliz em contar pra minha amiga que a coisa pegou fogo. Escutei um sonoro e delicado: “Você já ia dar?” Pensa: É feio eu ir pra cama com alguém especial pra mim, mas ir com alguém quem você nem conhece é bonito pra caramba né? É melhor eu ficar quieta… Definitivamente eu sou cafona. Eu gosto de coisa profunda, de verdade. O que me faz lembrar de Marilinda, na época do colégio. Tão nova e tão madura, sem duvida um espelho pra mim. Só que eu demorei uns 10 anos pra aprender o que ela sempre soube:

 

O amor de verdade merece respeito. E daí que você não esteja com a pessoa? Respeitar os sentimentos, isso eu aprendi que é fundamental. Eu não me arrependo dos acidentes de percurso desses dois últimos anos ((ficar afim do Thaynan a ponto de achar que eu seria capaz de amá-lo, ou até mesmo me apaixonar pelo Pedro porque ele me tratava como eu merecia.)), mas eu me arrependo das coisas que eu fiz de propósito: beijos sem paixão, momentos de semi-luxúria, onde sinto nojo de mim em lembrar que alguma mão que não foi a dele me tocou nesse meio tempo. Esse lance de pegação só tem graça na hora, depois que o dia vira se torna uma encanação. Não, eu não quero ficar nesse amor pra sempre. Só quero respeitá-lo enquanto for meu, enquanto está ao meu alcance. Vai que um dia ele some, e no meu peito sobrem apenas saudades? Boba? Maybe. Sincera comigo mesma? Sempre. Eu não coloco uma couraça na frente do que sinto apenas pra posar de forte ou de foda. Eu não finjo ser extremamente feliz apenas pra impressionar. Forte eu sou, foda e feliz também, mas esse aspecto me enfraquece, me deixa vulnerável. Não estou aberta ainda a novos ares. Nem disposta ((novos amores me cansam e eu ando esgotada: trabalho, amigos, família e a cirurgia)). Não quero me permitir a uma coisa que eu mesma não tolero mais nem nos outros. Não quero mudar de amores como mudo de roupa e nem inventar novos para maquiar o que acontece de verdade por aqui.

 

Como chama o amor que é do Thi? Incondicional.

 

Ouve: Kalimando (Cirque Du Soleil)