Arquivos Mensais: Julho 2009

Um pessoa voltando as 5 da manhã pra casa, não com o habitual medo de sempre, mas com a tranqüilidade de uma criança… Ela vê dois “elementos suspeitos” ((Leia: manos nóias, pra não ter que falar o que realmente aquelas porras eram ¬¬)) com roupas velhas e sujas. Atravessa a rua e para por alguns minutos em frente a uma empresa. Ela fuma o seu último cigarro da noite e pensando que o perigo já passou, retoma sua caminhada, afinal, ela já está tão perto de casa. Mas os “elementos” só fizeram dar a volta no quarteirão. E a pessoa já não tem os braços e nem as pernas vivos. Tudo trava. E a única coisa que ela consegue fazer é entregar aos “elementos” as coisas que com o esforço do trabalho conseguiu comprar, até mesmo as roupas que vestia. Não sobrou nenhum documento, cartão do banco, celular ou bolsa. Com medo, ela se deita atrás de um carro, semi nua, com frio e chorando. Com os membros ainda quase nulos, depois de muito esforço, ela se levanta e nem se lembra direito como chegou em casa. Ela só chora. Ela só deseja morrer.

E essa pessoa se parecia tanto comigo, que às vezes me faz questionar a mim mesma: Eu sou tão ruim assim pra merecer tudo isso?

E me faz pensar no que faz uma pessoa chegar a enlouquecer. A rua oferece seus perigos, mas de dentro do seu carro com os vidros fechados e o som ligado é impossível de saber o que aquela pessoa solitária passando na calçada esta balbuciando e o porquê de tanta gesticulação. Essa semana mesmo um louco passou do meu lado falando de Big Brother e Roberto Marinho. Até os loucos viram escravos da mídia. Acho que qualquer tipo de escravidão leva a loucura. O bom dos loucos é que mesmo sabendo que eles não desejam ser assim, levam a vida como eles querem, e é por essas e outras que eu sempre os considerei os mais responsáveis. Quando um louco sai dando porrada, quebrando tudo, sempre usam a justificativa: “Ah, ele é louco”. E quando é alguém normal? O que é ser normal? Assistir Big Brother? Tudo é tão relativo…

E deve ser pela mesma razão que ficamos felizes com as pequenas coisas do dia-a-dia. Como aquela sensação estranha quando vemos alguém bonito na rua ou encontramos uma moedinha. E o fato de estar irada com os dois filhos da puta, não me faz sentir menor, inferior. Eu já passei por tantas coisas e nem por isso quero ser chamada de vencedora ((eu sou preguiçosa e acomodada, acostumada a ver e a sentir)). Mas eu mereço ser chamada de sobrevivente. A minha alma vive em perigo constante e nem é porque eu dou sorte ao azar. É porque é assim que tem que ser. Quando um soldado vai pra guerra geralmente acredita na vitória e é isso que faz ele vencer. Se ele vai com o medo do fracasso ele pode morrer. Agora se ele se preocupa em dar o melhor de si depois de tentar vencer, mesmo que acabado, escondido e machucado no chão enquanto corpos caem por todos os lados, ele é um sobrevivente. E isso tem a sua beleza… Por mais que perca a guerra, ele volta pra casa, família e amigos. O vencedor vai se vangloriar pro resto da vida, por além de ter voltado vivo, volta com uma medalha na farda. ((Às vezes as coisas materiais nos deixam tão seduzidos e vulneráveis…)) E então, já não é mais orgulho pelo que se é, é orgulho pelo que se tem. O que te faz melhor: uma etiqueta cara ou seu prato de arroz com feijão? Trabalhar é preciso, viver é arte. Viver não é preciso, e nem sempre faz sentido. Mas já que cá estamos trabalhar, além de ocupar a cabeça, trás méritos, e te dá a melhor sensação do mundo quando você compra uma coisa que realmente quer. Você batalhou por aquilo, não precisou roubar e nem pedir pro papai. E arrecadar esse tipo de mérito não te faz o vencedor dono da medalha. Te faz ser alguém que sempre busca mais e mais… Mas isso tudo é teoria da minha essência. E quando eu digo que me falta muito desaprender a teoria, é porque é verdade. Fugir da teoria pode me fazer errar, mas me dá a dádiva de aprender. A prática me cansa e eu ainda sou preguiçosa…

E foram semanas tão difíceis… Acho que já virou tão clichê eu dizer que nada é como eu quero, como eu planejo… Mas é um clichê tão real… O amor que eu via nascer naqueles olhos virou um vazio tão imenso que me fez chorar muito. Odeio ver quem eu amo sofrer… E acabou doendo mais em mim do que em qualquer outra pessoa… Um dia eu entendo o sado-prazer que as pessoas sentem em quebrar corações. Maybe. Maybe eu nunca me interesse por isso. Acho que eu prefiro continuar sendo cafona… Tão cafona de aceitar a amizade mais antiga como ela é. Sem mexer muitos pauzinhos pra que algo espetacular aconteça. Ela já é espetacular por si só e o que me falta é segurança. Preciso tanto de segurança pra diversas coisas… Até pra aprender a lidar com esse sentimento de perda que eu sempre sinto em toda e qualquer situação ((Como se isso não fosse a tal da insegurança… ¬¬)). E a minha importada já se importou de novo, e isso foi bom. Vai fazer bem pra ela e pelo menos dessa vez, tem data definida pra voltar, o que me faz sofrer menos. Três semanas são complicadas, mas se for olhar pelo ângulo catastrófico das coisas, dois anos foram bem mais… E no mais eu não nasci ontem pra acreditar encenações: Tem gente que simplesmente nunca vai crescer. E os novos olhos azuis estão no meio de todas as coisas. Só não sei até que ponto.

((E eu fico abismada como em um parágrafo eu consigo definir o que deu e o que não deu certo nos últimos dias, de tudo que parecia sólido… Sonhos tão pequenos que nunca tem fim…))

Mas heim? Eu disse que o meu destino ao final do Bool era incerto né? Pois bem, ainda é. Ainda não sei o que vai acontecer, mas duas coisas eu afirmo: Eu não sou o fracasso que pensavam. E o Bool não vai acabar. Mas se alguém aqui pode ser chamada de fracasso, é aquele lixo de supervisora que o Bool tem à tarde. É o cúmulo do fracasso! Passei no GO sim, subi de cargo sim e queria entender por que cargas d’água isso a irrita tanto… Eu lembro que uma vez eu disse que ela tanto fez que o sentimento dela por mim, acabou se tornando recíproco. Mentira. Essa mulher é digna de pena, não de ódio, fala sério! Tiazona, solteirona, mal amada! Desconta toda a falta que ela tem nas pessoas a volta dela, exceto, claro, dos puxa-saco dela. E como eu nunca fui, ela acha que vai me foder. Maybe ela consiga. Maybe não.

Simples desejo de ficar bem. Os cabelos loiros, as estrelas, os novos olhos azuis e todo mundo que me interessa. Mas não cabe a mim escolher. Às vezes me da medo das coisas que eu penso ou sinto. Michael Jackson que o diga… Se eu tivesse uma boca dessas pra ganhar na mega…

 ((Bloqueio pra escrever mode on. Parece cocaína, mas é só tristeza.))

 

Ouve: Túnel do Tempo ((Engenheiros do Hawaii))

“Espere pelo sangue que o boomerang despertou…”