Arquivos Mensais: Setembro 2009

Tava lendo os posts anteriores… Aos olhos de quem vê, pode parecer um blog tão triste, diferente da Regi que a maioria das pessoas conhece ((Cada um tem a Regi que merece)). Acho que na verdade é triste, porque na maioria das vezes que eu sento pra escrever alguma coisa, estou triste com alguma coisa. Se um dia for escrever um livro, vai ser do naipe de novela mexicana, mas como sempre, com uma vilã impiedosa, afinal, eu só sei escrever pra me expressar, e eu sou dona de uma dupla face rara. Quem convive comigo sabe. E quem entende gosta. Já que eu falei em novela, tava reparando… Toda novela tem uma moça pobre que casa com um cara rico, enquanto todo mundo fala que ela é uma aproveitadora. Tem sempre o cara que come a empregada. Tem aquela que se fode a vida toda, e no final se dá mega bem. Antes as vilãs tinham um final trágico, mas ultimamente elas tem se dado bem. Acho que isso me insentiva a mudar algumas coisas e conceitos… Porque se já é disso que me taxam, bora vestir a carapuça né?

Expressar… Eita coisinha difícil… Acho que já falei isso umas mil vezes: apenas escrevendo eu faço isso bem. Sometimes. Será que eu vou ter que escrever um livro/manual de como lidar comigo para cada uma das pessoas que convivo? Tirando meu diamante, o meu cristal, minha hematita e meu ônix, onde a comunicação com palavras nem sempre é necessária, onde bastar sentir ou olhar… Tá complicado fazer com que me entendam. É facil lidar com a Regi que tá sempre fazendo palhaçada, com a Regi feliz, com a Regi que corre atrás. Mas é um porre então lidar com a Regi que chora, com a Regi que trabalha 10 horas por dia ((se bem que adoro isso, afinal, o trabalho enobresse)), com a Regi que cansa? E sabe por que deve ser difícil? Falta de expressão. Eu não gosto de brigar ou discutir por pequenas coisas e o resultado da pedrinha rolando morro a baixo é sempre catastrófico. Se eu resolvo falar, mesmo que de um modo sutil, estoura a guerra no Iraque, Saddan retorna das trevas, BinLaden veste um colete a prova de balas e Hitler sai na rua só de calcinha. Sometimes, eu preciso que busquem a mim. Eu já busco demais tantas coisas apesar de ser acomodada. Tem coisas que nunca vão mudar e quando eu penso que me basta eu estou errada. E mais errada na visão de todos. Devo continuar mentindo, fingindo que não me importo? Maybe…

E é por essas e outras que às vezes é bom aderir prioridades fora do eixo casa-trabalho. Cuidar de quem/que realmente se importa. Diamantes importados e cristais brutos, sempre! Hematitas, sempre! Ônix é sempre no limite, mas é pra sempre. Quando se escolhe amar, não importa se é a ferro e fogo. Desde que haja importância. A ônix se importa comigo e eu com ela. Minhas pedras preciosas… Acho que foi a certeza desses amores eternos que passei a chamar meus melhores amigos com nome de pedras preciosas. Cada uma com sua beleza, seu poder e sua força. E sua influencia sobre mim. Mas isso é uma coisa pra se falar depois ((apesar de serem prioridades))…

Do lado de cá a fase zica-do-pântano está se amenizando ((tirando a porra do celular)). Curtindo os últimos dias de frio, que não estão bem do jeito que eu gosto devido a umidade, mas se tem um vento gelado fazendo vuuuuhhhh na orelha já tá de bom tamanho. Continuo sem dormir, continuo cansada ((Por muitos motivos)), mas to aproveitando ao máximo. Agora eu vejo quanto tempo eu perdi dormindo… Ainda gosto do meu travesseiro, mas as noites com a cabeça fora dele têm sido fantasticas. A única coisa que está atrapalhando muito é o trauma do assalto. Atravesso a rua zilhões de vezes, cada vez que alguém vem na minha direção. Me peguei chorando de pânico dias atrás no caminho de volta pra casa e quando cheguei não sabia explicar a minha mãe o porque de tanto choro. Trauma é bem diferente de karma, hoje eu posso dizer isso. Eu tenho trauma de tantas coisas… E dos karmas eu diria que gosto um bocado, mas tem dias que eu não tenho a menor paciência com eles. Os pensamentos azuis andam me fazendo soltar cada palavrão que mamãe sentiria vergonha. Aliás, vergonha na cara resolveria tantas coisas… Um dia eu aprendo. Ah, aprendo! Eu sei que já disse um milhão de vezes que eu cansei, mas porra! É muita infantilidade pra uma cabeça só! E no mais, eu tenho prioridades. E é das prioridades que eu trato com carinho. Claro que nem sempre posso abrir mão de tudo pra estar com eles, mas o possível e o impossível eu faço. A recompensa é um corção palpitando feliz cada vez que penso neles, um sorriso gostoso e os abraços melhores ainda. Ai ai, como eu amo! s2

Ouve: Olho do Furacão ((Engenheiros do Hawaii))
“Se for parar pra pensar, não vai sair do lugar
¡ Não tem parada errada, não !
No olho do furacão…”

Pois bem. Eu sempre falei que odeio as frases feitas. Mas faz alguns dias em que eu penso seriamente em uma delas:
“O segredo é não correr atrás das borboletas… É cuidar do jardim para que elas venham até você.”

Mas como sempre, algo de contraditório nisso. Pra começar eu não sou muito fã de borboletas e já cuidei muito do meu jardim. Não é querendo me achar, mas quem me ganha, me ganha pra sempre, por isso eu sofro tanto quando alguém, mesmo que me sacaneie, vai embora. Mas não, eu não vou correr mais atrás.

Cansei.

Cansei de promessas, aquelas que eu vivo caindo como uma boba, de que tudo é pra sempre. Nada é pra sempre. Não. Tem coisas, que dentro de mim são pra sempre, por mais longe que estejam do meu alcance. Juliana Catharino é pra sempre. Rafael Garuti é pra sempre. Thiago Augusto, Humberto Gessinger, Gláucio Ayala são pra sempre. São tantos anos de saudade e imagens lindas que nunca vão sair da minha mente. Cada um durou seu tempo na minha vida, mas eu não sei esquecer das coisas boas ((maybe nem das ruins…)). Mas eu não vou mais atrás, pois cada vez que tento abro uma ferida enorme dentro de mim e o que me resta são as pessoas comuns do dia a dia ((alias, filho da puta dia a dia, aquele que me faz cruzar olhares e sorrisos superficiais de cabo a rabo do 9º andar e nas escadas para o 11º)). Contraditório demais ser alguém que ama tanto e ao mesmo tempo ser anti-social e isso me faz pensar se é isso que faz com que sempre as coisas/pessoas boas vão-se embora.

Frases feitas. E Shakespeare disse:

“As pessoas que mais amamos são as que mais vão nos ferir.”

Fato.

Juliana Catharino disse:
“Você leva a vida muito a sério por mais que seja louca. Coloque um pouco mais de loucura na sua própria insanidade.

Ah, se eu tivesse te ouvido, minha amiga, minha linda, minha princesa…

Rafael Garuti disse:
“Você é uma das pessoas que eu faço questão de conservar pra sempre.”

Me diz onde foi que eu errei meu transtorno loiro. Me diz? Fala pra mim?

E ainda me mostrou uma puta de uma frase feita, que é perfeita pra tudo que eu sinto:

“O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.”

Durou pouco. Foi muito intenso. E você é inesquecível, inexplicável. Definitivamente incomparável.

Thiago Augusto disse:

“Com você eu sou um bobo, você desperta a criança que existe dentro de mim.”

Dentre tantas outras que me colocam um sorriso inocente no rosto, que por mais que tentem me provar o contrário, você foi a melhor pessoa que apareceu no meu caminho. Em todos os sentidos. Ah, como eu te amo!

Humberto Gessinger me perguntou:

“Valeu a pena?”

Sim, amado. Sempre valeu. Obrigada por todos os tipos de sentimentos que você foi capaz de despertar em mim. Minha melhor escola, minha fortaleza…

Gláucio Ayala pediu:

“Não chora mais.”

Mas simplesmente não dá pra não chorar quando olho pros lados e não vejo nenhum deles. Quando não vejo mais nada e nem ninguém. Quando meu mundo desaba e eu não tenho pra onde correr. Quando os automáticos e extraordinários estão encantados com um uma nova invenção. Quando os antigos precisam de mim e eu não tenho força. Quando faz muito calor e eu tenho apenas que caminhar pra minha casa. Quando chove e eu não posso molhar minha roupa. Quando sinto perfumes, brisas e vontades. Onde estão todos? Porque ainda perguntam o motivo de eu estar tão triste? Onde estão todos vocês? Onde está a menina Lulu, o menino Kaique, o menino Peter? Onde estão os automáticos? Será que pensam em mim com o mesmo carinho que eu ainda penso? TODOS OS DIAS?

Já não sei se existe alguma força que me protege ou me abençoa, mas de fato existe uma força que me odeia muito. To dormindo mal pra cacete, acordando mal pra cacete, vivendo num mau humor do cacete. Nada me diverte, a não ser as paradas momentâneas, que me fazem voltar pra casa pensando: Tenho um namorado pra que? Um trabalho pra que? Amigos pra que? No dia seguinte depois da noitada talvez ninguém se lembre. Talvez porque bebeu demais. Talvez porque não seja importante lembrar. Só eu me lembro e não sinto preguiça ou rancor. E tem uma explicação lógica pra ninguém pensar: Eu sou a única que penso primeiro nos outros antes de pensar em mim mesma. O que eu sinto é uma mágoa muito grande por coisas que não foram ditas enquanto ainda dava tempo. Logo, não é magoa de nenhum deles. É uma dor só minha e como eu sempre digo: uma dor que é só minha, só eu sei o tamanho dela…

E é feita, mas é minha:
“Ninguém conhece sua força até precisar realmente dela. Principalmente a bruta.”

Ouve: Clarisse ((Legião Urbana))

“Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
(…)

E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer.
(…)
Ninguém entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom-samaritano
Cumprindo o seu dever, como se eu fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Nada existe pra mim, não tente
Você não sabe e não entende
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarisse sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar pra casa à noite
(…)
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
(…)”